Tempora Astrológica

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Trânsitos Planetários - Barómetro de Marés, Ciclos e outras Temporadas... a Passagem do Tempo e as Influências Interiores e Exteriores, Visíveis e Invisíveis... Reencontros Energéticos e Experiências Singelas

VERÃO, A RADIÂNCIA DE SER

EstaçõesEscrito por Pedro JR Fernandes 20 Set, 2017 15:44:50

Chega o verão e a menor noite do ano também. A eterna batalha entre a luz e a sombra retorna a um “novo” climax, a mais um retorno do Sol a um dos seus dois extremos de declinação: o solstício. Solstício, do latim Sol sistere, Sol que não se mexe, é o momento em que o Sol durante seu movimento aparente na esfera celeste atinge a maior declinação em latitude a partir da linha do equador, “parando” e seguidamente volvendo ao seu ponto de equilíbrio equinocial. Com a entrada da energia de Caranguejo no solstício de Verão, abre-se um novo ciclo de abundância em nosso redor. A natureza ocupa-se em cuidar e nutrir de toda a abundante e luxuriante vida que ela própria gerou no último impulso Primaveril. É fácil encontrar qualquer coisa comestível em qualquer prado ou cultivo. Nos campos e vales mais férteis, a união do calor com a ainda água restante do inverno faz tudo crescer até ao seu máximo. Tudo está em pleno crescimento, mas há que proteger os frutos ainda imaturos, dependentes e presos às plantas mãe, da imprevisibilidade e do “alheio”. Na evolução deste ciclo anual, existe ainda alguma vulnerabilidade e um forte receio de o fruto não vingar. Este é o reflexo das energias de Caranguejo, símbolo esquematicamente representado por dois elementos colocados frente a frente, representando um ovo de duplo germe, o grande ovo original ou Ouroboros(1), símbolo da fecundidade e das origens e memórias ancestrais. O sentido profundo deste signo reporta-se a tudo o que está encerrado e que está prestes a sair. Neste sentido, representa o óvulo fecundado que dará mais tarde a semente e o seu germe. No Zodíaco é o primeiro signo de água, pois tudo o que está em gestação tem necessidade de água. Outrora, dizia-se que as almas vinham da Via Látea franqueando o portal do Caranguejo. Chamavam-se “abelhas” a essas almas que vinham encarnar sobre a Terra e “colmeia” ao centro da constelação de Caranguejo. Em hebreu a estrela mais brilhante desta constelação chama-se Acubene, que significa “recanto secreto”, tão característico da energia de Caranguejo.

Com o passar das semanas caminhamos em direção à plenitude do Verão, plenitude que nos espelha a energia de Leão, o coração do Homem, o entusiasmo, o entretenimento e a energia pura de criação. É tempo de alegrias, férias, brincadeira e diversão. Há luz e festas por todo o lado e os dias são quentes e grandes para podermos mostrar toda a nossa vontade, vitalidade, brilho e dignidade interiores. Os frutos amadurecem, exibem o seu brilho e poderão ser apreciados e escolhidos para colheita. É o auge do impulso Primaveril. É tempo de celebrar e mostrar o amor pela vida em todo o seu esplendor. A alegria e a luz transparecem na satisfação pela a vida e é tempo propício para festas ao pôr do Sol e para viver como reis, radiantes e generosos. Existe a certeza de podermos ser o que de melhor existe em cada um de nós. Sentir-se único e especial, confiar na própria capacidade, criar e buscar prazer é um excelente mote para este radiante período. Leão é regido pelo Sol, o Astro Rei. O Sol é o Homem que domina o seu destino, o herói, o Homem que triunfou sem ajuda e sem cometer maldade, a vontade de simplesmente Ser.

À medida que a luz retorna ao seu ponto de equilíbrio com a sombra, o Sol atravessa o tempo do signo da Virgem, o calor dissipa-se e o verão passa a ser mais discreto do que até então. No campo, corresponde ao árduo período de colheitas e de saber concretamente se foi ou não foi um ano farto, produtivo, eficiente. É tempo de terminar as colheitas e separar o “trigo do joio” através de uma mente crítica, meticulosa e racional, que tinha como propósito armazenar da melhor forma a colheita anual que serviria todo o período de paragem produtiva seguinte. Virgem, a rapariga ou a casa do pão, analisa se os próximos tempos de decadência e “descida aos infernos” serão de fartura ou de carência, de saúde e bem-estar ou precariedade e doença. É tempo de reequilibrar as energias para esse novo ponto de transição, o equinócio de Outono, e preparar a passagem do inverno.

Este ano o Solstício de Verão ocorreu no dia 21 de Junho de madrugada. Este instante marcou o início do Verão no Hemisfério Norte, a estação mais quente do ano, que se prolongará por 93,65 dias até ao próximo Equinócio a ocorrer no próximo dia 22 de Setembro pelas 21h02min. Durante este período todo o ser em nós tende a exteriorizar-se, a vir para fora, a entusiasmar-se numa onda constante e numa vigorosa energia de criação. Tempo de Sol, de calor e amor próprio, de vontade indómita de expressarmos o que temos de mais radiante em nós. A sombra é curta e a luz domina. Apetece brincar, festejar e divertir-nos. Após os primeiros anos de criança e primeira juventude, simbolizados pelos três primeiros signos, a maioridade instala-se e a identidade individual consolida-se e manifesta-se em toda a sua exuberância e radiância, vaidade e esplendor. É um tempo de crescimento e expansão, vigor e alegria, onde o propósito inicial, esse eterno retorno primaveril, manifesta intensamente o seu lado mais exterior e autocentrado. Em Caranguejo apercebemo-nos de onde vimos e como amamos o nosso céu ancestral. Em Leão manifestamos todo o esplendor dessa semente que personificamos de forma única, autêntica e brilhante. Em Virgem aperfeiçoamos a individualidade do nosso Ser. Todos os três signos, contemplam e matizam a energia do jovem adulto, o conforto e protecionismo de pertencer a uma família, a um clã, a exuberância e radiância de Ser genuíno e autêntico e a necessidade de me aprumar e adaptar-me a um mundo profissional na via da autossustentabilidade. Tudo isto antes de mergulhar na verdade da partilha e do espelho advindo e adquirido no inevitável confronto de uma relação amorosa, energia matizada pelos signos da Balança e Escorpião.

Pela União das Almas, na Luz da Consciência(2).

Julho de 2017

(1) representação da serpente que morde a cauda como a origem de tudo
(2) de Maria Flávia de Monsaraz












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